• Marcello Veríssimo

    São Sebastião estará vestida com o arco-íris neste fim de semana. O festival “Orgulhe-se” começou ontem (4) na Casa da Cultura, Rua da Praia. O objetivo é dar mais visibilidade aos artistas LGBTs do Litoral Norte, do Vale do Paraíba e da capital paulista. Mas também com conscientização.

    Em sua terceira edição, cresceu e neste ano será em três dias de programação. A primeira semana municipal em respeito à diversidade na cidade terá palestras, workshop e shows. O ciclo de palestras termina nesta sexta (5) às 22h.

    De acordo com os organizadores, as palestras serão sempre seguidas de rodas de conversas com o público sobre temas variados sempre em evidência dentro da comunidade LGBTQIAP+.

    Entre os palestrantes, estão a comissão de direitos humanos e diversidade da OAB de Ilhabela, o Fórum LGBT do Litoral Norte e a Rainbow Psicologia, empresa com mais de 200 profissionais associados especializados em acolhimento de pessoas LGBTs. “Essa iniciativa é muito boa, as prefeituras têm que apoiar o movimento LGBT, pois pagamos impostos e fazemos parte da sociedade. Acredito que um incentivo como esse festival ajuda a melhorar a convivência dos LGBTs com o restante da sociedade”, diz Thifany Félix, do Fórum LGBT do Litoral Norte. “Quanto mais se falar desse movimento, abrir as portas para que o segmento tire os preconceitos da cabeça do cidadão e quem não somos nada daquilo que muita gente pensa, isso tudo tem que acabar”. Para Thifany, iniciativas como essa que possibilitem o diálogo, a troca de ideias, o conhecimento é um passo importante. “Quando as prefeituras abrem esse espaço para que possamos falar das nossas demandas, do nosso movimento”, destacou Thifany, que agradeceu ao convite da organização.

    O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Igualdade Social, Diversidade Sexual e de Gênero da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ilhabela, Leonardo Souza, disse que aceitou o convite dos organizadores assim que recebeu. “De imediato colocamos a comissão a favor do evento e em que poderíamos estar ajudando para contribuir, e em conjunto, decidimos por esses temas que tinham mais anseio”.

    Leonardo Souza abordou dois temas relevantes para a comunidade LGBTQIAP+, que são justamente os que mais impactam a vida dessas pessoas, a LGBTfobia e a retificação de nome e gênero para homens e mulheres transexuais.

    Durante suas palavras, em aproximadamente 60 minutos, o advogado tentou resumir um assunto que leva muita dor a centenas de milhares de pessoas por todo o país. Ele foi preciso e orientou os participantes em como proceder ao passar por ambas as situações.

    O advogado mostrou dados do Observatório Nacional de Violência e Mortes LGBTQIAP+. “Esse observatório é um conjunto de instituições não governamentais que atuam através de suas coordenações regionais, em cada estado e municípios, coletando essas informações”, disse Leonardo.

    As instituições que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Ilhabela são importantes entidades que defendem os direitos dessa população como a ANTRA (Associação Nacional de Transgêneros), entre outras. Os dados coletados dão origem ao dossiê de violência. Mas, como não são estatísticas oficiais, podem haver muitas subnotificações de casos.

    De acordo com o dossiê, entre 1 de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021 foram registrados 375 assassinatos de LGBTs no mundo, o que representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior. O relatório mostra que o Brasil concentra 41% de todos os crimes, além de outros dados alarmantes sobre a insegurança desta população, como 96% das pessoas assassinadas em todo o planeta eram mulheres trans ou pessoas transfeminadas com idade média de 30 anos, ou seja, jovens. Cerca de 70% de todos os assassinatos registrados estão na América Central e do Sul. “Não é surpresa nenhuma que o país lidera os casos mundiais de violência e morte de LGBTs. A LGBTfobia também é a terceira maior causa de bullying no ambiente escolar. A escola ainda é um dos locais de maior vulnerabilidade para os LGBTs”, lamentou Souza.

    O Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTQIAP+ ainda revela que em 2021 ocorreram 316 mortes de forma violenta no Brasil de LGBTs. Destas, 285 foram assassinatos e 26 suicídios, um aumento de 33,33% em comparação com 2020.

    Orgulho – O Festival “Orgulhe-se” terá ainda um workshop de drag queens com as convidadas Nikki Haus e Ray Frank, ambas drag queens do Litoral Norte. Após o encontro, o Pop Bar, parceiro oficial do evento, fará uma festa até as 3h para esquentar e preparar o público para o dia seguinte. O Pop fica na Rua Santiago, 384, na saída do bairro Topolândia.

    Os organizadores dizem que projeto surgiu em 2019 com a necessidade de realizar um evento sociocultural no Litoral Norte destinado aos LGBT’s, sem distinção de público, agregando outros grupos sociais. A Prefeitura de São Sebastião, por meio da Fundass (Fundação Educacional e Cultural de São Sebastião)da Secretaria de Turismo, são parceiros do evento desde a sua primeira edição.

    Em 2020, por causa da pandemia, a festa não foi realizada, mas ano passado o festival aconteceu no Teatro Municipal, sem público e com transmissão online, seguindo todos os protocolos de segurança contra a covid.

    O organizador Geovane Souza disse que o principal objetivo é inserir aos poucos projetos alternativos que dêem visibilidade aos LGBTs em uma região tão diversa e rica culturalmente como é o Litoral Norte. “Mais do que isso, nosso intuito é levar mais informação, entretenimento e prestação de serviço ao público de forma gratuita, por meio de uma vasta programação. Queremos também nos reafirmar como seres humanos em uma sociedade tão opressora com as minorias deste país”, disse ele. “Queremos mostrar, através do evento, que também somos pais, filhos, netos, trabalhadores, contribuintes e também queremos nos divertir”, completou Cláudio Santana, outro organizador.

    Parada Litoral Norte – O Fórum LGBT Litoral Norte Paulista, realizará no dia 24 de Setembro, a sua segunda Parada LGBT. De acordo com Thifany Félix, os interessados em participar podem enviar sua arte como dança, teatro, canto, monólogos, entre outros, em vídeo com tempo máximo de 4 minutos. “Faremos uma avaliação e os 10 melhores vídeos entrarão para a programação”, disse ela.
    O tema do evento deste ano será escolhido por meio de uma enquete. “Mande sua frase, como sugestão de tema, a escolhida será o tema de nossa 2° Parada LGBT Litoral Norte Paulista”, explicou a presidente do Fórum. “Queremos que nossa parada seja tão linda e um como foi no ano passado”.

    Mais informações no WhatsApp (12) 98133-5345

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