• Marcello Veríssimo

    Uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores em São Sebastião, o pré-candidato a deputado estadual Fernando Puga, 48, acredita em uma renovação política para melhorar o Litoral Norte e o país. Engajado, libertário, autocrítico sempre esteve envolvido em questões políticas que afetam diretamente a vida dos moradores do município, principalmente relacionados ao meio ambiente e qualidade de vida. “Com o apoio de lideranças petistas conseguimos o desvio do traçado da Estrada do Contorno Sul entre Caraguatatuba e São Sebastião, poupando que a população do bairro da Topolândia fosse severamente afetada em sua qualidade de vida, pela passagem da Estrada que cortaria o bairro ao meio”, ele diz.

    A vocação política de Fernando Puga começou cedo, ainda no primeiro ano, quando participou ativamente do Movimento Estudantil organizando atos de protesto contra o ex-presidente Fernando Collor de Melo na época do Impeachment. Puga é formado em Agronomia pela UNESP de Botucatu, no interior de São Paulo. “Sempre participei de congressos estudantis envolvendo ecologia, agricultura orgânica, preservação da Amazônia, a Rio 92, cerrado e outras pautas da política estudantil”, ele recorda.

    Durante toda a vida, o pré-candidato diz que conviveu e foi um observador das transformações no Litoral Norte. “Desde 1975, frequento a praia de Toque-Toque-Grande, na costa sul de São Sebastião, e pude acompanhar a realidade da população caiçara, que tem seu modo de vida completamente alterado pela chegada da indústria imobiliária, que modificou severamente toda a economia e espaço físico”, analisa Puga.

    De lá pra cá, o pré-candidato a deputado estadual observa que a região se desenvolveu desenfreadamente sem um olhar mais cuidadoso para o meio ambiente, seu povo, sua gente.

    Entre suas realizações, enquanto trabalhou na secretaria Municipal de Meio Ambiente, em São Sebastião, entre 1996 e 1997, ajudou a cuidar de dois viveiros florestais e ornamentais da prefeitura, e ainda, executou e planejou projetos de reflorestamento, como o das margens do Rio Boiçucanga, na costa sul do município. “Nesse período também participei da elaboração do Plano Diretor da Cidade e a implantação do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte”, destaca Fernando Puga.

    Paulistano de nascimento, Fernando Puga nasceu no bairro do Jabaquara, zona sul da capital paulista, mas tem São Sebastião em seu coração. Filho de Fernando Puga Sobrinho e Izilda de Souza Puga, mudou para o município em 1995 onde firmou sua trajetória na vida pública. “Minha mãe, Izilda, cuidou dos filhos, trabalhou na Coordenação do Fundo Social de Solidariedade em São Sebastião entre 1992 e 96, também foi Presidente da Sociedade Amigos de Toque-Toque-Grande e uma das fundadoras da Federação Pró-Costa Atlântica”, diz ele, orgulhoso de sua mãe, que é bastante querida na cidade. O pré-candidato do PT tem duas irmãs, Erika Puga, atriz, e Camila Puga, produtora de filmes.

    PT

    Fernando diz que sempre teve identificação com o Partido dos Trabalhadores, que sempre apoiou durante as campanhas eleitorais. Em 2008, se filiou ao partido para ajudar na formação de um grupo político visando a disputa das eleições municipais.

    Em 2010, Fernando foi escolhido como pré-candidato a prefeito, disputando a eleição em 2012, mas obteve apenas 5% dos votos válidos, ou seja, 1820 votos, ficando em 4° lugar.

    Em 2016, diante da crise política que assola o país, se candidatou a vereador, conseguindo ser eleito como 1° suplente da coligação encabeçada pelo então vereador Gleivison Gaspar, com 750 votos, assumindo por duas vezes em um curto período uma cadeira na Câmara Municipal de São Sebastião. Nas últimas eleições, em 2020, terminou em 11° lugar com 821 votos.

    Consciência

    Fernando diz ser um homem com consciência social e ambiental. Ele defende pautas importantes como sustentabilidade, habitação e saneamento básico que são de extrema importância para a região. “Vamos pensar no Litoral Norte como um todo e em todas suas camadas sociais lutando pela geração de emprego e renda, melhorias no transporte, educação, segurança, inclusão social pelo movimento negro, para os LGBTQIAP+, além de investimos em cultura, ciência e tecnologia”.

    Novidade

    O pré-candidato do PT explica que, para ele, a atual caminhada rumo a campanha eleitoral deste ano será uma novidade, assim como a anterior, em 2018. “Se antes nós tínhamos uma polarização entre um projeto neoliberal, representado pelo PSDB com seus programas de privatização e seu modelo de estado mínimo, e um social democrata, o nosso projeto em oposição era de um estado investidor, da preservação das empresas estratégicas do Brasil como a Eletrobrás, Petrobras, os Correios, como a Embratel e a Vale do Rio Doce, que foram empresas privatizadas, então quando o estado tem mecanismos de desenvolvimento e é grande ele consegue fazer uma indução da economia mais efetiva”. “O PT tinha um projeto de Nação diferente dos tucanos, quando ele começa no Governo Lula, era lastreado no pré-sal, no petróleo. O petróleo como um grande indutor da industrialização brasileira, da geração de emprego e renda e do salto qualitativo na educação e na saúde”, diz Puga.

    O pré-candidato se refere ao chamado “marco regulatório”, estabelecido no Governo Lula, em que todo o dinheiro arrecadado deveria ser investido nas áreas da educação, saúde e infraestrutura. “Esse projeto foi derrotado por um golpe, justamente no coração, que era a Petrobrás, com a Operação Lava Jato”, analisa Fernando Puga. Para ele, a Lava Jato teria sido mais proveitosa para o país se tivesse punido pessoas. “Mas como ela foi um projeto de sabotagem, a operação não puniu as pessoas, mas puniu empresas e organizações”. “Então, quando a Lava Jato atinge o seu objetivo que era derrubar a presidente Dilma, derrubar o PT e o seu projeto de desenvolvimento, logo em seguida temos um novo arcabouço legal, quando o José Serra, então Senador, logo que o Governo Temer assume ele desobriga o componente nacional na indústria do pré-sal, de todos os componentes do pré-sal, plataformas, sondas, entre outros”, diz Puga.

    Volta por Cima

    Para o pré-candidato, o atual modelo ultraliberal fascista do Governo Bolsonaro, que venceu as eleições em 2018, “está vendendo toda a cadeia do petróleo, ponto a ponto, até exaurir o estado brasileiro em sua capacidade de investimento e intervenção na economia”. Agora, segundo ele, as eleições no dia 2 de outubro é a chance de o país mostrar se quer que esse modelo continue ou seja interrompido para a retomada do desenvolvimento. “A gente tem uma economia muito pobre, pois agora as pessoas só têm dinheiro para colocar gasolina e comer”, observa. “Por isso que o PT é inimigo, existe o antipetismo, dessa forma a questão da corrupção é só um motivo imediato que pode-se dizer para todo mundo, tentar barrar essas pequenas revoluções que podem acontecer, o PT é um partido que existe para mudar as situações, vencer essa sociedade desigual, somos um partido de pluralidade, Os privilégios precisam ser combatidos.

    Para Fernando Puga, o Litoral Norte durante os governos do PT viveu suas maiores revoluções. “As pessoas pouco têm essa visão. Os governos do PT fizeram muito pelo Litoral Norte, o que seria de Ilhabela sem os recursos do pré-sal e o que seria de Caraguatatuba sem a Unidade de Tratamento de Gás hoje. O pré-sal foi achado durante o Governo Lula e executado no Governo Dilma, a Unidade de Gás em Caraguá foi colocada em operação em 2013, durante o governo dilma, e isso em termos de arrecadação para o Litoral Norte foi uma potência”, analisa. “Vamos trabalhar em um plano de desenvolvimento regional para fazer com que toda arrecadação se transforme em benefício social. O Litoral Norte precisa de um planejamento integrado”.

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