• Marcello Veríssimo

    Os municípios do Litoral Norte de São Paulo seguem inseridos na rota do tráfico de entorpecentes, controlado pela facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, os índices dos registros de ocorrência nesta modalidade criminosa, assim como o consumo de substâncias entorpecentes, só aumentam anualmente.

    Ubatuba é a recordista em ocorrências de tráfico de entorpecentes no litoral. Em 2021, foram 86 ocorrências deste crime, ante 20 de porte no DP do município. Para se ter uma ideia somente nos quatro primeiros meses deste ano, já são 44 registros de tráfico de drogas na cidade.

    Em Caraguatatuba, durante todo o ano passado, na área do 1º Distrito Policial no bairro Porto Novo, que também abrange bairros como Travessão e Perequê-Mirim, foram 63 ocorrências de tráfico e 21 de porte de entorpecentes.

    Pelo balanço da SSP, na área do 2º DP, em Massaguaçu, foram 10 ocorrências durante todo o ano passado e 2 portes de droga. Na Delegacia Central, a maior da cidade, que fica no Indaiá, região central do município durante todo o ano de 2021, foram registradas 60 ocorrências de tráfico e 16 de porte.

    Na escalada do tráfico, Ilhabela registrou 44 ocorrências de tráfico de drogas em 2021, além de 24 portes. Em São Sebastião, o 1º Distrito Policial no centro contabilizou 100 ocorrências de tráfico, sendo que o maior número de flagrantes registrados aconteceu em maio com 14, 13 em março, 11 em janeiro e 10 em abril. Já os portes de droga foram 30, nesta unidade policial.
    São Sebastião possui 4 Delegacias de Polícia, segundo a SSP. No 2º DP, que funciona em Boiçucanga, na costa sul do município 35 ocorrências de tráfico de drogas foram registradas durante o ano passado e oito portes. Na região do 3º DP, na Enseada, costa norte do município foram 13 ocorrências de tráfico, contra 3 de porte.

    O 4º DP, em Juquehy, na costa sul do município foram registrados 10 tráficos e 5 ocorrências de porte. Já no primeiro quadrimestre de 2022, as quatro delegacias de polícia da cidade, juntas, contabilizam 34 ocorrências de tráfico de drogas.

    Alerta da Polícia Civil – O delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Edson Pinheiro, confirmou ontem que persiste a iniciativa crescente das organizações criminosas se instalarem no litoral, especialmente por conta da existência do Porto de São Sebastião, que atua em operações de carga internacionais. “Existem informações sobre a possibilidade de tentativas de utilização dos portos e a estrutura do litoral norte para o transporte de grandes quantidades de droga”, disse o delegado, que possui experiência em casos de combate à corrupção, crime organizado e lavagem de dinheiro, mas também já esteve no comando na Dise (Delegacia de Investigações sobre entorpecentes) do Litoral Norte, por três anos.
    O delegado também disse que a região do Litoral Norte tem um “polo usuário” grande, que vem em uma crescente de usuário de drogas das mais variadas. “A pandemia [da Covid-19] apresentou um agravamento, principalmente no uso de maconha, isso se refletiu nos números que foram apresentados pelas delegacias nesses últimos dois anos”.
    Um dos fatores que podem ter contribuído para essa elevação no consumo de maconha é o clima praiano da região somado a instabilidade daquele período no país. “Isso refletiu nas apreensões que foram realizadas durante todo o período da pandemia”, disse o delegado. “É evidente que a existência de uma rota que favoreça o acesso internacional às organizações crimes torna a região muito atrativa para este tipo de criminalidade”, acrescentou Pinheiro.

    Crack – Além da maconha, o delegado disse que já é uma realidade que a chamada epidemia do crack também se alastra pelo litoral. “Temos percebido de forma bem recente o aumento no número de usuários de crack e de apreensões. É uma droga que não era tão comum e não fazia parte do setor litorâneo, mas que tem se mostrado presente na maior parte de apreensões e operações policiais que são realizadas”, afirmou o delegado.

    O crack é considerado uma epidemia pela polícia em razão do seu fácil retorno financeiro que a droga propícia. De acordo com o delegado, a Polícia Civil combate de forma incisiva o tráfico de entorpecentes, que tem se ampliado na região. “Temos a existência de várias organizações criminosas, não podemos afirmar que seja somente uma em específico. A zona litorânea, a região do litoral atrai o interesse de muitos criminosos, por conta do seu fácil acesso às rotas internacionais, acaba por incentivar e estimular que outras organizações tentem se inserir aqui na região”, disse o delegado, ao comentar sobre a atuação da facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo. “Mas não significa que exista uma predominância ou mesma relevância destas organizações na região”.

     

     

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