• Marcello Veríssimo
    
    

    Um novo tempo acaba de começar na Praia do Deodato, na região central de São Sebastião, que por anos foi conhecida como a “Cracolândia” sebastianense. Depois de um processo de higienização, sem nenhum sinal dos usuários de drogas, a população volta a ocupar o espaço de praia, uma das mais tradicionais do município, que em razão de sua proximidade com bocas de fumo era ocupada por dependentes químicos em situação de rua.

    Mas este tempo já passou. Em uma iniciativa corajosa, um grupo de mulheres caiçaras decidiu levar arte e cultura para o local, promovendo também o resgate da cultura caiçara, com apresentações do chamado fandango caiçara. Trata-se de uma espécie de dança, que representa uma manifestação cultural popular brasileira, segundo o grupo, o fandango também é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

    Sua origem diz que o ritmo teria se miscigenado com a música local, desde os tempos da capitania de São Vicente, trazido pelos portugueses. Transitou por terra e mar, pelos canais e ilhas que interligam o litoral paranaense ao de Cananéia e Iguape, no estado de São Paulo, na região conhecida como Lagamar, se estendendo até o Litoral Norte Paulista. “Os registros nos datam a existência do fandango desde o século XVIII no litoral norte”, diz a jornalista Luzia Prado, conhecida por Santinha, uma das idealizadoras e fandangueira do grupo Aleluia, que atualmente conta com cerca de 12 mulheres. O fandango caiçara tem suas vertentes espalhadas por toda a região, entre Boiçucanga, na Costa Sul de São Sebastião, com o grupo Caiçaras Fandangueiros, além da região central, Ilhabela e Ubatuba.

    Para levar o fandango até a praia do Deodato, o grupo elaborou um projeto que contou com a ajuda das autoridades públicas, entre elas a Polícia Militar e a Prefeitura de São Sebastião. “Nesse projeto, nós colocamos todas sugestões para que pudéssemos acabar e toda essa história [dos usuários de droga] na praia. Colocamos em prática esse projeto, elencamos tudo o que era necessário para refazer a infraestrutura boa do local. Todo mundo colaborou”, diz Eliete Aparecida, que também integra o grupo. A ideia do grupo é transformar o espaço em um local de encontros culturais para promover a integração social por meio da arte e cultura.

    Com o início do projeto fandango, que realizou no último domingo seu terceiro encontro, o clima na Praia do Deodato mudou. É visível essa mudança logo na entrada da praia, que se estende até a faixa de areia, com a pintura dos muros, novos bloquetes, areia fofa nivelada, entre outras melhorias.

    O grupo agradece o apoio que recebeu da secretaria de Turismo, secretaria de Serviços Públicos, da empresa coletora de lixo, além dos moradores da região.

     

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